Múltiplas câmeras, som imersivo e IA: entenda o que é e como foi o teste da TV 3.0 em SP
RECORD transmitiu a final do Paulistão 2026 com a nova tecnologia e avaliou recursos inéditos na transmissão aberta de um evento ao vivo
Diversos|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A televisão aberta brasileira vive um momento de transição que vai redefinir a forma como milhões de pessoas consomem informação e entretenimento. No centro desse movimento está a TV 3.0 — também chamada de DTV+.
A tecnologia combina o sinal tradicional de antena com a internet, abrindo caminho para uma experiência mais imersiva, personalizada e interativa.
Na prática, significa que o telespectador continuará recebendo o sinal gratuitamente, mas poderá acessar recursos adicionais diretamente pela tela, como múltiplas opções de áudio, escolha de câmeras em transmissões esportivas, participação em enquetes em tempo real, compras e até serviços públicos integrados.
“A TV 3.0 revoluciona a forma de assistir televisão no Brasil e permite que a população conte com uma série de serviços até hoje praticamente inexistentes”, afirma o conselheiro da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) Octavio Penna Pieranti.
LEIA MAIS
Em São Paulo, os testes práticos dessa nova realidade têm ganhado forma na RECORD. A emissora realizou a primeira transmissão aberta de um evento ao vivo com a TV 3.0 durante a final do Campeonato Paulista 2026, entre Palmeiras e Novorizontino.
O sinal foi gerado a partir de uma estação experimental da Seja Digital (EAD) instalada na torre da emissora, na Avenida Paulista, e recebido na Barra Funda com equipamentos ainda em fase de desenvolvimento.
A emissora usou a tecnologia MIMO (Multiple-Input Multiple-Output), que integra múltiplas antenas para aumentar a capacidade de transmissão e aprimorar a recepção.
Na TV tradicional, o sinal é transmitido por um único caminho: uma antena envia e outra recebe. Já com o MIMO, a TV 3.0 contará com duas antenas transmitindo nas polarizações horizontal e vertical, aumentando as formas de o sinal chegar até o aparelho.
Na prática, isso significa:
- Sinal mais estável: o uso de diversas antenas melhora a recepção e reduz oscilações no sinal;
- Imagem e som melhores: dá conta de transmitir mais informação ao mesmo tempo, como 4K com HDR e áudio mais imersivo;
- Recursos na tela: ajuda a viabilizar funções da TV 3.0, como múltiplos ângulos e opções de áudio.
Mais do que a qualidade de imagem e som, o teste demonstrou o potencial de interatividade da TV 3.0. Foi possível, por exemplo, escolher quem narraria o jogo.

“Exploramos o recurso de transmitir o conteúdo com múltiplos áudios em MPEG-H com narração oficial (Cléber Machado), alternativa (Desimpedidos), torcida mandante (Palmeiras) e torcida visitante (Novorizontino)”, explica o diretor de Engenharia e Operações da RECORD, José Marcelo.
Houve também acesso a ângulos exclusivos de câmera, cortes automáticos dos melhores momentos utilizando Inteligência Artificial, chat, enquetes e venda de produtos na TV.
“Para nós, essa experiência marca um passo concreto no entendimento de que a tecnologia proposta para a próxima geração de TV aberta precisa de tempo para amadurecer, mas, sem dúvida, está evoluindo”, celebrou o diretor.
O feito ainda evidenciou um dos principais desafios técnicos dessa nova fase: a necessidade de aumentar a cobertura.

“Os bons resultados desse teste dão segurança de que as especificações técnicas da TV 3.0 estão adequadas para esse tipo de operação. Os próximos passos envolvem a ativação de diversas estações coordenadas, já que, devido à exigência de níveis de campo mais altos na recepção, serão necessárias muitas estruturas para garantir cobertura satisfatória da TV 3.0”, afirma o engenheiro da Abratel (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) Wender Souza.
Esse avanço não acontece de forma isolada e depende de uma cadeia de contribuições. A Abratel atua como uma das articuladoras, acompanhando os testes e contribuindo com o Ministério das Comunicações e a Anatel na construção do modelo regulatório.
O caminho normativo
Do lado regulamentar, a Anatel tem papel central na viabilização da TV 3.0. Por meio do Gired (Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização) — responsável pela gestão da digitalização da TV no Brasil —, a agência coordena a instalação das estações de teste e acompanha os resultados obtidos até aqui.
“Os principais desafios da Anatel são garantir a continuidade dos testes e avançar na regulamentação. A plataforma tem funcionado a contento e precisamos assegurar que esse processo siga até a entrada em operação”, afirma Octavio Penna Pieranti.
Segundo ele, a agência trabalha na aprovação de três frentes essenciais: canalização, certificação e requisitos técnicos de equipamentos. “A expectativa é que esses atos comecem a ser aprovados ainda neste mês”, diz.
Todos esses processos são feitos sem esquecer os pilares históricos da TV aberta no Brasil: oferecer conteúdo gratuito com foco em informação, educação, cultura e cidadania.
As fases de testes da tecnologia estão previstas para seguir até setembro de 2026. Enquanto as transmissões experimentais avançam no Brasil, o país também acompanha de perto a evolução da TV 3.0 em outros mercados e em grandes eventos, como a NAB Show, em Las Vegas.
A RECORD participa do maior evento mundial de tecnologia, mídia e entretenimento entre os dias 18 e 22 de abril, ao lado da Abratel e da LM Telecom.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp












