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José Raposo fala sobre carreira e novo projeto

Peça ‘Reality Show Os Raposos 3027’ celebra gerações e liberdade criativa

Palco Record|Do R7

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O ator revisita as origens da sua paixão pela representação e reflete sobre o ofício que o acompanha desde a infância em Angola até às produções mais recentes. A nova peça, ‘Reality Show Os Raposos 3027’, em cartaz, reúne três gerações da mesma família num espetáculo que mistura memória, ficção e crítica social.

O poder de imitar: essência do ator

“Ser ator é ser imitador”, afirma o artista ao recordar os primeiros passos no teatro. Desde criança, imitava políticos e figuras da televisão, explorando vozes e gestos com naturalidade. O fascínio cresceu com o incentivo do pai, também ator amador, que o levou aos primeiros espetáculos.

Talento e trabalho: um legado familiar

O ator acredita que o talento nasce com a pessoa, mas precisa ser cultivado. O exemplo do filho Miguel, que surpreendeu a família ao interpretar um monólogo de Woody Allen, reforça essa visão.

Primeiros passos no teatro

A estreia aconteceu numa mini revista infantil. O espetáculo, chamado Teatrinho, apresentou-lhe a estrutura clássica da revista, com números de dança, canções e crítica social. “Foi ali que percebi a mecânica do teatro e a importância de cada detalhe, do cenário à bilheteira”, relembra. Apesar do estigma que a revista enfrentou ao longo dos anos, o ator afirma sentir orgulho em ter começado nesse formato.

Um reality show no palco

Em ‘Reality Show Os Raposos de 3027’, o ator divide o palco com os filhos Miguel e Ricardo. O texto, escrito pelo filho mais velho, mistura elementos autobiográficos e distópicos. “Há projeções de imagens de família, debates sobre gerações e até uma cena futurista com o Ricardo numa nave espacial”, descreve. A peça brinca com o conceito de um falso reality show ambientado no ano 3027, cruzando estilos, tempos e linguagens.

A liberdade como princípio artístico

Trabalhar em família traz desafios e liberdade em igual medida. “Há divergências estéticas e políticas, mas isso alimenta o espetáculo”, admite. A convivência criativa entre pai e filhos resulta num teatro vivo, onde a improvisação e o diálogo constroem autenticidade. “A liberdade em cena nasce da confiança. O público sente quando há verdade.”

Raízes tropicais e memórias de Angola

As experiências de infância em Angola continuam a inspirar a sua arte. “Os trópicos — o calor, a luz, os ritmos — estão presentes nas minhas escolhas interpretativas”, conta. Essa influência africana, somada à afinidade cultural com o Brasil, confere uma “cor própria” às suas personagens.

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