Teresinha Landeiro: entre a leveza e a saudade do fado
Teresinha descreve o seu fado como um diálogo entre tristeza e leveza
Palco Record|Do R7
Nesta entrevista para o ‘Palco’, Teresinha Landeiro, a jovem fadista fala sobre a relação íntima que construiu com o fado desde os 11 anos, a busca por um equilíbrio entre a melancolia tradicional e uma abordagem mais leve, e o papel libertador da escrita nas suas canções. Entre referências, homenagens e shows marcantes, Teresinha revela como o fado é, sobretudo, sobre a vida.
Do primeiro encontro ao palco: como nasceu uma fadista
Aos 11 anos, Teresinha descobriu o fado por acaso: uma amiga da mãe ofereceu-lhe discos que mudaram a sua relação com a música. “Uau, como é que eu não ouvi isto antes?”, lembra a sensação de identificação imediata. Apesar de crescer num lar onde normalmente não se ouvia fado, a paixão tornou-se persistente e orientou as escolhas seguintes.
Mesmo com a inclinação óbvia para a música, Teresinha optou por não estudar música na universidade. Queria manter o fado como refúgio, algo íntimo e não transformado em obrigação. Só após o seu primeiro show, aos 18 anos, começou a assumir que o fado poderia ser o seu caminho profissional. Essa transição teve ritmo e cuidado: manter a autenticidade, proteger a relação com o repertório e decidir que cantar podia ser vocação sem perder a leveza que tanto valoriza.
Leveza, drama e escrita: a assinatura de Teresinha
Teresinha descreve o seu fado como um diálogo entre tristeza e leveza. Reconhece o seu “drama” — parte essencial do gênero — mas procura também desconstruir a ideia de que o fado é apenas denso e pesado. Para ela, o equilíbrio surge da sinceridade: “Se eu cantar letras que eu me identifico, vão fazer sempre sentido”.
A escrita própria nasceu em parte como resposta às críticas de que as letras que cantava eram muito adultas para a sua idade. Escrever tornou-se uma defesa e uma libertação: um espaço para falar das coisas que irritam, magoam ou alegram. O primeiro álbum, ‘Namoro’, reúne esse percurso — amores pela cidade, pela música e pelas relações juvenis — e o trabalho mais recente aprofunda essa dualidade em temas para relembrar e chorar.
As referências também foram determinantes. Crescer com nomes como Sales Rodrigues, João Braga, Carmim, Rebelo e Jorge Fernando permitiu-lhe aprender por proximidade: receber correções, conselhos e inspiração de quem viveu e moldou o fado. Homenagens, como a dedicada a Celeste de Ribeira, fazem parte da sua vontade de manter vivos os nomes que marcaram o estilo.
Além do repertório tradicional, Teresinha explora adaptações de canções pop e outros gêneros, vestindo-as com a sua assinatura. Esse desafio amplia o alcance do fado e mostra a capacidade de renovação do estilo sem perder a essência.
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