‘Giro’ em Mértola: aventura sobre rodas no coração do Guadiana
Giro|Do R7
Há locais onde o tempo parece correr a um ritmo muito próprio, ditado pela força da natureza e pela riqueza da história. Esta semana, a viagem do programa ‘Giro’ levou os telespetadores de regresso a Mértola e ao Parque Natural do Vale do Guadiana, um santuário de biodiversidade com mais de 70 mil hectares de área protegida, onde a tranquilidade da planície alentejana se cruza com paisagens de cortar a respiração e rotas repletas de adrenalina.
A força indomável do Pulo do Lobo
A jornada começou junto ao leito do rio Guadiana, onde o silêncio característico do Alentejo dá lugar ao rugido impressionante do Pulo do Lobo. Trata-se de um dos acidentes geológicos mais espetaculares da Península Ibérica, onde o rio se vê estrangulado por imponentes paredes rochosas de xisto, criando uma queda d’água de mais de 10 metros de altura.
Diz a tradição popular que o local ostenta este nome porque o canal é tão estreito que até um lobo o conseguiria transpor num único salto. Contudo, ao contemplar o estrondo da água e as gotículas que pairam no ar, percebe-se que a beleza crua deste desfiladeiro representa o coração mais selvagem e indomável do Baixo Alentejo.
O oásis da Tapada Grande
Em pleno contraste com a imponência do Pulo do Lobo, o programa fez uma paragem no oásis de frescura da Praia Fluvial da Tapada Grande. Galardoada consecutivamente com a prestigiada Bandeira Azul, esta praia de água doce, areia clara e sombras generosas afirma-se como um refúgio de tranquilidade no interior alentejano.
Rota do Mineiro: adrenalina na Mina de São Domingos
Guiada pelo animador turístico Fernando Valentim, Mahayla aceitou o desafio de conduzir uma Moto 4 numa experiência conhecida como a Rota do Mineiro, percorrendo os caminhos de terra batida que rodeiam a Mina de São Domingos.
Com a paisagem a transformar-se em tons quentes e minerais — que recordam um cenário quase de outro planeta —, a rota permitiu avistar a antiga exploração mineira a céu aberto. Durante mais de um século, a Mina de São Domingos foi um dos maiores centros de extração de cobre da Europa. A chegada de uma empresa britânica, no século XIX, trouxe a eletricidade, a linha de caminho-de-ferro e uma profunda revolução tecnológica à região, culminando no fecho definitivo das minas em 1964.
O percurso sobre quatro rodas incluiu passagens arrebatadoras pela Porta da Mina, troços que exigiram tração integral para vencer o terreno acidentado e a passagem pela emblemática zona onde a cantora Bárbara Bandeira gravou o videoclipe da canção ‘Zona Sul’. A aventura terminou entre as ruínas colossais e chaminés da Achada do Gamo, o ponto onde o minério era processado e preparado antes de seguir de comboio até ao porto do Pomarão, de onde zarpava em navios rumo a Inglaterra.
Um património com ‘dupla assinatura’ e o lote de ‘Capital da Caça’
A despedida de Mértola deu-se junto à Torre do Relógio, com uma reflexão sobre a essência desta ‘vila-museu’. Conforme explicado pelos responsáveis locais, Mértola distingue-se por uma ‘dupla assinatura’: a riqueza do património edificado e arqueológico (com os 14 núcleos do Museu de Mértola Cláudio Torres) aliada a um entorno natural dominado pelo rio Guadiana.
A juntar a este ecossistema, a vila orgulha-se do título de ‘Capital da Caça’, uma atividade gerida com elevada responsabilidade ambiental. A gestão dos habitats cinegéticos contribui ativamente para a conservação da biodiversidade, para a prevenção de incêndios e para a sustentabilidade da economia local, oferecendo produtos de excelência ao longo de todo o ano.
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