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História, tradição e natureza: veja a última parte da viagem do ‘Giro’ em Mértola

Giro|Do R7

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A equipa do programa ‘Giro’ regressou à icónica ‘vila-museu’ para explorar as memórias da Mina de São Domingos, a arte secular da tecelagem, o rio Guadiana e a preservação do habitat do lince-ibérico.

Há lugares onde a história, a tradição e a natureza se fundem de forma harmoniosa, criando uma identidade única. Na continuação da viagem do programa ‘Giro’ por Mértola, os telespetadores são convidados a fazer um mergulho profundo no passado e no presente deste concelho alentejano — desde a exploração mineira britânica do século XIX até aos artesanatos que resistem ao passar do tempo.

A Mina de São Domingos



A primeira paragem revelou um dos capítulos mais marcantes e orgulhosos da região: a Mina de São Domingos. Explorada desde a época romana, a mina foi resgatada em 1854 por uma empresa britânica, cuja ambição de extrair a riqueza do subsolo redesenhou por completo a geografia local.

Para explorar a pirite (rocha da qual se extraía o cobre) que se encontrava no subsolo, os ingleses não hesitaram em destruir uma serra inteira onde existia uma aldeia, um palácio e escolas, dando origem à monumental ‘Corta’ a céu aberto que hoje se encontra preenchida pela água das chuvas.

O programa destacou ainda as profundas desigualdades sociais da época:



- A Administração Britânica: Vivia em palacetes e usufruía de luxos, fazendo até questão de trazer terra de Inglaterra para criar um cemitério próprio, garantindo que os ingleses seriam sepultados em solo pátrio.
- Os Mineiros: Amontoavam-se num bairro de traço militar em habitações de cômodo único para toda a família.

Entre as curiosidades partilhadas esteve a ‘marmita’ dos mineiros, desenhada com uma alça para evitar que os ratos alcançassem a refeição nas galerias. Os roedores, aliás, eram os melhores amigos dos trabalhadores: se os ratos corressem, era sinal iminente de derrocada e todos tinham de correr atrás deles.

A arte secular da tecelagem de tradição islâmica



Preservando saberes com mais de um milénio, a equipa visitou a oficina de tecelagem tradicional de Mértola, onde os padrões geométricos e as cores vivas carregam a herança da presença islâmica na região.

Antes de a lã chegar aos imponentes teares de madeira de mais de 200 anos, os artesãos realizam um minucioso trabalho manual: a lã é lavada na ribeira, escaldada para remover a lanolina, seca ao sol, ‘cremeada’ (selecionada para remover impurezas) e levemente azeitada antes de ser cardada e fiada.

A apresentadora aventurou-se a trabalhar no tear ao lado da artesã Fátima Mestre, aprendendo a coordenar o ritmo das ‘permedeiras’ (pedais) com a passagem da lançadeira. Outro grande destaque foi o trabalho da artesã Maria Helena Rosa, que comemora 38 anos de casa a finalizar manualmente peças de linho fiado à mão através da técnica do carapulo — caracterizada por pequenos nós relevados que desenham motivos tradicionais.

Passeio de barco no Guadiana



A bordo do barco de José Reis, o programa navegou pelas águas do ‘gigante’ que funcionou durante séculos como a principal autoestrada comercial entre o Mediterrâneo e o interior do Alentejo, desfrutando da brisa refrescante e recordando que foi do peixe deste rio que muitas gerações de mertolenses retiraram o sustento nos anos mais difíceis.

Gestão cinegética: o sucesso do regresso do lince-ibérico



A viagem encerrou com uma visita aos cerca de 300 hectares de terreno geridos pela Escola Profissional do Sul em parceria com a Câmara Municipal, compreendendo as razões que fazem de Mértola a Capital Nacional da Caça.

Numa aula de campo orientada pelo gestor de caça João Grosso, ficou demonstrado como a atividade cinegética moderna assenta em bases científicas e na gestão ativa do habitat:

- Água e Alimentação: A instalação de fontes de água potável e alimentadores automáticos garante a sobrevivência e o êxito reprodutivo de espécies-chave, como o coelho-bravo e a perdiz-vermelha.
- Recuperação do Lince-Ibérico: O reforço destas presas naturais permitiu a Mértola ser o palco de um dos maiores sucessos de conservação da Europa, viabilizando o regresso do lince-ibérico à natureza.
- Resultados Comprovados: Os números de contagem de perdizes aumentaram drasticamente, passando de cerca de 10 a 20 aves em 2021 para centenas de exemplares registados no início de 2026.

Do alto de um ponto de observação na planície alentejana, a reportagem despediu-se de Mértola com uma mensagem de celebração do património, onde a intervenção humana responsável provou ser a maior aliada da preservação ambiental.

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