Conheça a exposição de Rui Ventura
Palco Record|Do R7
A exposição ‘City Sketches/ Playing with Noise’, de Rui Ventura, parte da energia caótica da cidade para construir narrativas visuais feitas de memória, infância e cultura urbana. O projeto explora o ‘ruído’ urbano — posters, imagens desgastadas e fragmentos recolhidos na rua — como matéria-prima artística, transformando elementos do quotidiano em composições visuais carregadas de significado.
O processo criativo começa na recolha de materiais já deteriorados pelo tempo, que são posteriormente colados em suportes como papelão ou madeira. Este desgaste não é visto como imperfeição, mas como ponto de partida para novas histórias. A partir daí, o artista constrói camadas visuais que reconfiguram narrativas pré-existentes, sem apagar o seu passado, mas integrando-o na obra final.
Um dos elementos centrais do trabalho é a presença da infância, através de referências a marcas, publicidade e personagens de desenhos animados, que funcionam como gatilhos de memória e emoção. Estes elementos surgem como forma de recuperar uma dimensão lúdica e imaginativa, frequentemente associada à infância.
A cidade assume também um papel determinante no processo criativo
Lisboa, enquanto espaço cosmopolita e em constante transformação, surge como fonte de inspiração, tal como outros lugares visitados pelo artista, incluindo Japão, Índia, Brasil, Itália, Espanha e França. Estes contextos urbanos são incorporados de forma fragmentada nas obras, reforçando o caráter multicultural da exposição.
A mostra decorre num hotel, espaço que, segundo a lógica do projeto, potencia a circulação de pessoas e aproxima a arte de diferentes públicos, transformando o ambiente num ponto de encontro entre mobilidade, cultura e criação artística.
Está ainda prevista uma extensão do projeto para o Rio de Janeiro, onde o artista pretende desenvolver uma residência artística, explorando novas matérias-primas e contextos culturais locais.
Em ‘City Sketches/ Playing with Noise’, o ruído urbano deixa de ser apenas ruído e transforma-se em estrutura narrativa. Através de colagens e sobreposições, Rui Ventura constrói obras que cruzam cidade, memória e infância, criando um diálogo entre o caos visual e a ordem poética da criação artística.
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