Jorge Fernando celebra 50 anos de fado
Artista revisita memórias, parcerias e clássicos num espetáculo
Palco Record|Do R7
Jorge Fernando celebra 50 anos de carreira com um concerto pensado como um agradecimento ao público que o acompanha desde a juventude. No programa ‘Palco’, o músico e compositor revisita memórias, escolhas e o vínculo íntimo que mantêm com o fado.
O artista conta que a relação com a música nasceu no bairro onde cresceu, guiado pelo avô violeiro, que o iniciou na viola aos 13 anos. Mesmo tendo explorado outros caminhos musicais — experiências que lhe deram um “background” útil até hoje —, o fado permaneceu como território de pertença e compartilhamento.
"Eu penso que o fado é que me escolheu."
Aprendizados com Amália e a ética do palco
Aos 20 anos, Jorge Fernando integrou o grupo de Amália Rodrigues, convivência que só mais tarde compreendeu em toda a sua dimensão. Pequenos gestos e princípios da diva moldaram-lhe o caráter artístico e humano. “Muitas vezes não disse o que devia, mas nunca disse o que não devia”, afirma, evocando a ética que leva para o palco e para a vida.
A alquimia com o público
Para o fadista, a essência do gênero está no encontro direto com quem ouve. As casas de fado proporcionam uma proximidade “quase de pele”, diferente dos palcos amplificados, mas igualmente sustentada pela troca emocional. “A música é uma partilha — dá-se e recebe-se”, diz. Como compositor, ele reforça que a obra ganha vida quando chega ao outro: “Tu gostas, ela passa a ser nossa e não minha.”
Repertório e convidados
O concerto de celebração reúne clássicos que marcam o percurso do artista — entre eles, ‘Chuva’, ‘Carvão’, ‘Tragueirinhos’ e ‘Os Luzes’. Para sublinhar o espírito de compartilhamento, Jorge Fernando convida nomes que admira e com quem dialoga musicalmente: Zé Brito, New Max (Expansive Soul), Jonas (com o projeto Fado Batido), Filipa Cardoso, Berg e Fábio Roberdão, cuja interpretação de ‘Chuva’ o artista descreve como “única”.
A linguagem emocional do fado
Jorge Fernando destaca ainda a força do fado para comunicar além das palavras. Já viu pessoas emocionarem-se sem compreenderem a letra — prova de uma linguagem afetiva que, acredita, anda “um pouco esquecida” na sociedade. “Há uma necessidade íntima de estar ali, a partilhar”, resume, ao projetar a apresentação como momento de encontro e gratidão.
Ao olhar para meio século de estrada, o fadista fala em missão cumprida “dia a dia, espetáculo a espetáculo”.
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