Luiza Brunet: uma trajetória de reinvenção
Modelo relembra carreira e explica opção pelo ativismo
Palco Record|Do R7
No programa ‘Palco’, Luiza Brunet relembra a entrada na moda aos 16 anos, a passagem pela televisão e a decisão de dedicar-se ao ativismo pela mulher após um episódio de violência em 2016. A entrevista aborda os obstáculos de ser uma modelo morena vinda do interior, a ideia de que vestir é um código de elegância e uma mensagem de esperança para quem enfrenta dor e recomeço.
Trajetória na moda e no entretenimento
Criada no Mato Grosso e filha de costureira, Luiza Brunet diz que aprendeu cedo a observar o figurino e a diferença que as escolhas de roupa produzem. Ao entrar no mundo da moda ainda adolescente, viveu o choque dos anos 70 e 80, quando a alta costura iniciava um processo de glamourização e a globalização trazia referências estrangeiras. Para a modelo, “vestir é um código”: a forma de apresentação comunica identidade e objetivos — uma leitura que pautou a sua trajetória e a ajudou a construir uma imagem de elegância.
No início, enfrentou resistências por ser uma mulher tipicamente brasileira, com ascendência indígena e traços do interior, num mercado então dominado por modelos altas e loiras. Mesmo assim, destacou-se e abriu portas. Ao lado de Xuxa, tornou-se uma das queridinhas do Brasil, episódio que, segundo relata, confirmou o poder de talento e autenticidade para romper padrões e ampliar referências de beleza.
Atuação, escolhas profissionais e empresariais
No audiovisual, Brunet participou de novelas e séries marcantes, como ‘O Mapa da Mina’ — em núcleo que incluía Fernanda Montenegro — e ‘Anjo Mau’. Com o tempo, decidiu equilibrar o trabalho diante de outras prioridades: maternidade e gestão de negócios, especialmente uma parceria no setor de cosméticos. A atriz e empresária reconhece que essas frentes exigiram escolhas pragmáticas, ajustando o foco profissional de acordo com o que fazia mais sentido em cada fase.
Reinvenção e defesa das mulheres
O ponto de virada veio em 2016, quando a experiência de violência e a exposição pública a levaram a redirecionar a carreira. Desde então, a modelo intensificou estudos sobre temas ligados à mulher e passou a participar de eventos com informação e acolhimento. Na entrevista, ela destaca a realidade das mães solo — que, segundo comenta, representam cerca de 65% em determinados recortes — como evidência de que a mulher é força motriz da sociedade e necessita de rede de apoio.
A frase “Toda dor passa, e toda dor traz experiência” sintetiza a mensagem central de Luiza Brunet: transformar sofrimento em aprendizado e canalizar essa experiência para amparar outras mulheres. Para ela, informação, acolhimento e solidariedade feminina são caminhos concretos para reduzir a violência contra a mulher e ampliar oportunidades.
Brunet também manifesta alegria por voltar a Portugal — país que descreve como “quase uma segunda casa” — e valoriza o intercâmbio cultural como fonte de enriquecimento pessoal e coletivo. Reconhecida como inspiração por várias gerações, afirma encarar a responsabilidade com carinho. Ao narrar a própria trajetória na moda e no entretenimento, sublinha que é possível reinventar-se, fazer escolhas e transformar dor em causa. O convite final é claro: buscar informação, apoio e união — “juntas, somos mais fortes”.
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