Marta Pereira da Costa: a alma da guitarra portuguesa e a voz do fado no mundo
Palco Record|Do R7
Desde muito jovem, Marta Pereira da Costa tem vivido uma relação profunda e apaixonada com a música, especialmente com o fado e a guitarra portuguesa. Com uma trajetória marcada pela busca constante da sua verdade musical e pela ambição de levar o fado além-fronteiras, Marta revela a sua alma nas cordas do seu instrumento, transformando cada apresentação em um compartilhamento sincero e emocionante.
O início da jornada musical
A paixão pela música despertou em Marta ainda na infância. Aos quatro anos, já mostrava uma ligação especial com os sons e instrumentos, o que levou os seus educadores a incentivá-la a iniciar aulas de piano aos oito anos. Durante muito tempo, o piano foi o seu grande instrumento, e Marta sonhava em ser pianista, inspirada por nomes como Maria João Pires.
Apesar do piano ter sido o seu primeiro amor, a guitarra portuguesa entrou na sua vida e rapidamente se tornou o veículo principal para expressar a sua alma e emoções. Para Marta, a guitarra é mais do que um instrumento: é uma extensão da sua identidade e uma forma de compartilhar a sua verdade com o público.
Experiências nas casas de fado: uma imersão emocional
Marta descreve as casas de fado como espaços mágicos, onde as emoções são transmitidas e sentidas, quer se compreenda a língua portuguesa, quer não. Para ela, cada noite nestes locais é uma “violência boa” de sensações, uma experiência intensa que a conecta com a música e com as pessoas. Foi nestes ambientes que fez muitos amigos e consolidou a sua ligação ao fado.
A primeira grande estreia: Toronto, 2012
A estreia de Marta em palco foi num contexto internacional, numa cidade completamente diferente: Toronto, em março de 2012. Apesar de se considerar ainda “verdinha” e com pouca experiência na altura, a vontade de tocar e crescer era enorme. O show, em um festival de música portuguesa, foi um momento inesquecível, marcado pelo nervosismo inicial e pela euforia depois da atuação.
Este evento foi também um ponto de virada, onde Marta percebeu que queria seguir o caminho da música profissionalmente, apesar dos conflitos internos sobre preparação e exposição. O apoio de amigos, como Pedro Pinhal, foi fundamental nesta fase.
Levar o fado ao mundo: uma missão e um sonho
Para Marta, a guitarra portuguesa é uma bandeira cultural que merece ser conhecida globalmente. A sua missão é levar o fado ao mundo, criando pontes com outros gêneros musicais e músicos internacionais. Ao longo da sua carreira, tem explorado colaborações com artistas de diversos estilos, enriquecendo o repertório tradicional e dando nova vida à guitarra.
Esta vontade de aprender e de inovar é um motor constante na sua trajetória. Marta acredita que a guitarra portuguesa tem um potencial enorme para ser valorizada como instrumento solista, tanto em Portugal como internacionalmente.
A presença no palco: um encontro íntimo com o público
Hoje, Marta encara o palco como uma grande sala de estar, onde se reúne com amigos e novas pessoas para compartilhar a sua música e as suas composições. Cada espetáculo é cuidadosamente planejado, desde as luzes até à sequência das músicas e dança, para criar um ambiente acolhedor e envolvente.
Ela valoriza a ligação direta com o público, comprometendo-se a falar com cada pessoa presente, tornando cada concerto uma experiência única e pessoal.
Discografia: a expressão da identidade musical
O primeiro disco solo de Marta foi um passo decisivo na sua carreira, marcando a transição para a dedicação total à música. Neste álbum, que leva o seu nome, Marta colocou todas as suas referências e paixões, homenageando grandes nomes do fado como Camané e Dulce Pontes, e incluindo colaborações internacionais.
Este trabalho foi uma verdadeira declaração de intenções, onde Marta quis contar muitas histórias através da guitarra portuguesa.
O seu disco mais recente, ‘Sem Palavras’, apresenta um conceito oposto: um processo mais interior e contido, focado apenas na guitarra portuguesa e no piano, sem voz nem outros instrumentos. Este álbum é uma dedicatória de amor aos seus filhos, simbolizando o seu exemplo e a inspiração que quer transmitir-lhes.
O futuro da guitarra portuguesa e do fado
Marta acredita que o caminho para a guitarra portuguesa como instrumento solista ainda está a ser construído, tanto em Portugal como no estrangeiro. A sua missão é continuar trabalhando para levar o fado o mais longe possível, valorizando a música instrumental e conquistando novos espaços.
Para ela, a guitarra portuguesa pode alcançar o mesmo reconhecimento que outros instrumentos tradicionais têm em gêneros como o flamenco ou o tango. Este é um desafio que Marta abraça com entusiasmo e determinação.
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